domingo, 20 de dezembro de 2009

O natal, de quem é?

-o que ele tem?
-teve uma meningite ao nascer, e...ah, ele tem um mais um monte de coisas.
-vai sobreviver?
-sim...ah, na verdade, não sei, não enxerga, isso é certo. Mas os pais o amam muito, vem todos os dias.
Então eu senti meu coração apertado. Aquela criancinha cheia de tubos, usando todas as suas forças para respirar, talvez nunca vá tomar um sorvete, ou brincar com outras crianças. Talvez ela não possa fazer parte desse mundo. Me sinto ingrata. Toma meu amor, um tantinho da minha vida, da minha saúde, da minha ingratidão com as coisas. Segura, vem comigo. Mas tudo o que ela consegue é esboçar um sorriso tímido, naquela boca que talvez nunca vá nem ter dentes. As crianças sorriram, e riram e abriram os braços. E eu quis apertá-las com todas as minhas forças, quis gritar, gritar pro mundo inteiro que elas estavam sorrindo. Mas não pude nem sequer tocá-las. Guardei o sorriso no bolso. Vá meu amor, pra onde quer Deus que você vá. E eu me vou também, porque estou aqui e certamente não é à toa.

pediatria e UTI infantil do HC + levar crincinhas do s.bernardo ao parque, experiência única.

3 comentários:

Geraldo Neto disse...

simplesmente perfeito!! MTo sensível e real. Ao ler é como se revivesse a cena, atento a cada detalhe, que me faz perceber o quão egoístas somos. Já a criança não. Em sua pequenez, simplicidade, mesmo quando está lutando para receber de manhã um novo sopro de vida, sorri, tímido, mas consegue transmitir a esperança de que é possível tornar este mundo um lugar melhor... BASTOU ELA SORRIR, E ALI ESTAVA O AMOR E COM ELE A PRESENÇA DE DEUS!

Tais disse...

Ela ali lutando pela sua propria vida.tentando agarrar ela com unhas e dente para nao deixar fugir.e muitas pessoas jogando sua vidas fora por tao pouca coisa.

Aninha* disse...

:')
experiência única, fato!
muuito lindo!