domingo, 22 de agosto de 2010

Sorrindo (nov./2009)

"Das vezes em que pousei

A cabeça em teu peito,

Só me resta a vaga idéia

Do teu palpitar.

Não havia nada

Senão tal compasso,

Acelerado que era,

Indo e vindo,

Num curioso saltar.

E tudo virava bruma,

Espairava e sumia.

Enquanto meu rosto afundado em teu abraço,

Tragava os sons;

E sorria.

Das vezes em que pousei

Os meus olhos nos teus,

Só me resta a vaga idéia

Do teu olhar.

Quão tenro era, ao avistar-me a caminho;

Que mistérios tinha

Ao deixar-se brilhar.

E tudo virava bruma,

Espairava e sumia.

Enquanto em tuas pupilas

Meu semblante era reflexo,

E eu entregue;

Sorria.

Das vezes em que pousei

As mãos em teu corpo,

Só me resta a vaga idéia do teu exaltar.

Ínfimos detalhes, ocultos.

E segredos.

Pele que ardia,

Quisera eu provar.

E tudo virava bruma,

Espairava e sumia.

Enquanto meus dedos

Procuravam a saída,

Eu arrepiava.

E sorria.

Das vezes em que pousei

Os meus lábios nos teus,

Só me resta a vaga idéia

Do teu beijar.

Indiscutível sintonia;

Pelas nuvens o caminho.

Tudo em um

Ensaiado flutuar.

E tudo virava bruma,

Espairava e sumia.

Enquanto minh’alma

Ansiava eufórica.

E sorria.

Mas o tempo fez das lembranças,

Distantes como o céu e mar.

A brisa já não trás

Teu cheiro.

A comida já não tem

Teu gosto.

A chuva já não é

Teus braços.

Nem o sol teu riso alegre.

Ainda assim,

És pra mim aquele azul.

Que colore,

Que perdura,

E aproxima o céu do mar."


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